Iniciativa oferece banho, distribui roupas e encaminha pessoas necessitadas aos serviços de saúde e cidadania no Centro do Rio
A Associação Beneficente Desata-me, a AMATRA1 e outras instituições e entidades do sistema de Justiça, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia, incentivam a criação de uma unidade permanente do projeto “Vestuário Solidário Guido Schäffer”, no Centro do Rio. A iniciativa prevê a oferta de banho, roupas limpas e itens de higiene para pessoas em situação de rua, além do encaminhamento para serviços de saúde e cidadania. Para custear as obras de adequação, será lançada, nos próximos meses, uma campanha de arrecadação com meta inicial de cerca de R$ 250 mil. O objetivo é viabilizar a inauguração do espaço ainda em 2026.
A iniciativa busca dar continuidade a um serviço que funciona provisoriamente no Edifício Avenida Central, desde março, buscando garantir uma estrutura fixa para o atendimento à população em situação de vulnerabilidade social na região central do Rio.
De acordo com o padre Marco Lázaro, fundador da Desata-me, a estrutura foi pensada para servir como porta de entrada para outros encaminhamentos relacionados à saúde, ao trabalho e ao acesso a direitos fundamentais. Segundo ele, a juíza Fernanda Stipp, 1ª vice-presidenta da AMATRA1, compartilhava o desejo de criar um espaço que oferecesse banho às pessoas em situação de rua, iniciativa que se alinhou ao trabalho desenvolvido pela Desata-me. “A decisão de o projeto acontecer nesse ambiente nasceu de uma coincidência de sonhos”, afirmou o pároco.
O projeto solidário leva o nome de Guido Schäffer, médico que atuou na Santa Casa da Misericórdia e desenvolveu atividades pastorais junto à população em situação de rua. Conhecido como “santo surfista”, ele morreu na Praia do Recreio e teve sua trajetória associada pelos organizadores ao propósito da iniciativa. “Ele praticava uma das obras de misericórdia da Santa Casa, que era vestir o nu”, destacou o padre Lázaro.
A rede de apoio ao “Vestuário Solidário Guido Schäffer” reúne a AMATRA1, o TRT-1 e sua Ouvidoria, o TJRJ, o MPRJ, a OAB-RJ, o TRE-RJ, a Arquidiocese do Rio de Janeiro e a Associação Guido Schäfer, além de colaboradores da iniciativa privada. Segundo Marco Lázaro, as instituições contribuem principalmente com articulação institucional e capital social, em consonância com as diretrizes de atendimento à população em situação de rua previstas na Resolução nº 425 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Os organizadores apresentarão o projeto à Associação Guido Schäffer em reunião marcada para 30 de julho. Antes disso, um jantar beneficente, previsto para 23 de julho, reforçará a campanha de arrecadação. A expectativa é concluir as adaptações necessárias e colocar a nova estrutura em funcionamento em cerca de 90 dias após o início da mobilização financeira.

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