Exposição reúne 15 réplicas do artista plástico brasileiro e articula narrativa sobre trabalho, território e dignidade
A relação entre esforço humano, território e sobrevivência é o pilar artístico da nova exposição do Centro Cultural do TRT-1, inaugurada nesta quarta-feira (6). A mostra “Suor e Dignidade: A Poética do Trabalho na Obra de Portinari” apresenta 15 réplicas de quadros do artista, organizadas em cinco blocos narrativos. Cada um percorre diferentes contextos trabalhistas no Brasil, do período das navegações às dinâmicas urbanas e rurais. A iniciativa do TRT, em parceria com o Programa Trabalho Seguro e o Projeto Portinari, propõe uma reflexão sobre impactos sociais e ambientais associados à atividade laboral. O presidente da AMATRA1, Rafael Pazos, participou da inauguração.
Pazos elogiou a parceria e destacou a importância simbólica da exposição, que convida a uma observação crítica do trabalho no Brasil. “Portinari é um dos maiores pintores da nossa história, e esta seleção retrata muito bem o trabalhador brasileiro. Vivemos um momento no qual a arte é muito importante, e obras que trazem a vivência do trabalhador têm tudo a ver com a Justiça do Trabalho”, afirmou o presidente da AMATRA1.
A diretora do Centro Cultural, desembargadora Dalva de Oliveira, conduziu a abertura ao lado do presidente do TRT-1, desembargador Roque Lucarelli. Ela apontou o papel do espaço institucional como instrumento de democratização do acesso à cultura e de promoção da inclusão social, conectando a obra de Portinari às reflexões sobre a realidade brasileira.
“O Centro Cultural foi criado por acreditar que a formação do cidadão não pode prescindir do saber e da cultura. Hoje, temos acumulado esforços para promover a inclusão dos vulneráveis através da arte e da cultura. Nada mais oportuno do que prestigiar a exposição a poética do trabalho na obra de Portinari”, disse.
A exposição estrutura seu percurso a partir de cinco eixos que organizam temporal e simbolicamente as obras. O primeiro bloco articula o encontro entre diferentes visões de mundo no contexto das navegações, ao contrapor o trabalho embarcado à relação dos povos originários com o território. Na sequência, o segundo núcleo desloca o olhar para a urbanização e apresenta contrastes sociais por meio de retratos e cenas coletivas, evidenciando dinâmicas de convivência e resistência nas cidades. O terceiro segmento reúne obras que abordam atividades ligadas à terra e ao mar, ao destacar o esforço físico em tarefas como a pesca e o trabalho agrícola, em composições que enfatizam movimento e repetição.
O quarto bloco introduz a temática da escassez e do deslocamento, ao apresentar figuras associadas à seca, ao cangaço e à migração, construindo uma narrativa sobre sobrevivência em contextos adversos. No trecho final, a exposição reúne trabalhos que tratam de conflito e conciliação, ao relacionar imagens de guerra e paz a uma reflexão sobre o papel do trabalho na construção de equilíbrio social.
O coordenador do Departamento de Arte, Educação, Inclusão e Pertencimento do Projeto Portinari, Lizandro Ribeiro, também esteve presente na abertura. Ele destacou que a exposição propõe ampliar o acesso à obra de Portinari, enfatizando, por meio da arte, a dignidade humana e o valor de todas as pessoas, independentemente de classe ou função. A inauguração também contou a apresentação musical da trabalhadora terceirizada Francisca Angelina que interpretou o “Canto Das Três Raças”.
A visitação está disponível até 26 de maio, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h. O Centro Cultural do TRT-RJ está localizado na Avenida Presidente Antônio Carlos, 251, com entrada pela Rua da Imprensa, no Centro do Rio de Janeiro. A entrada é gratuita.
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