Estudo do MTE aponta redução nos vínculos e aumento real dos salários, com manutenção do perfil feminino e concentração em faixas etárias mais altas
Os vínculos formais no trabalho doméstico no Brasil caíram de 1.343.787 para 1.302.792 em 2025, uma redução de 3%, enquanto a renda média subiu de R$ 1.949,92 para R$ 2.047,92 em dezembro, alta de 5% na comparação com 2024. Os dados fazem parte de estudo do Ministério do Trabalho e Emprego com base em informações do eSocial. O setor mantém predominância feminina e ainda enfrenta desafios estruturais.
O levantamento, elaborado pela Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho, analisou o estoque de vínculos formais entre 2015 e 2025 e destacou variações regionais de renda, envelhecimento da força de trabalho e concentração em ocupações de menor remuneração.
O estudo apontou retração de cerca de 41 mil vínculos em relação ao ano anterior, ao comparar os 1,34 milhão de registros de 2024 com os dados consolidados de 2025. Apesar da redução, o setor manteve volume expressivo de trabalhadores formais e registrou elevação do rendimento médio, indicando mudança na dinâmica interna do mercado.
Há forte predominância feminina, com mulheres ocupando 88,64% dos postos formais, enquanto os homens representaram 11,36% do total. O perfil também distribuição racial marcada por maior presença de pessoas que se autodeclaram brancas e pardas, que juntas concentram a maior parte dos vínculos.
Os dados evidenciaram concentração em faixas etárias mais elevadas, com destaque para trabalhadores entre 50 e 59 anos e entre 40 e 49 anos. O levantamento também registrou predominância de ensino médio completo entre os empregados, além de indicar que a maioria cumpre jornadas semanais iguais ou superiores a 41 horas.
A distribuição por ocupação apontou que os serviços gerais concentram a maior parte dos vínculos e apresentam remuneração média inferior à média geral. Funções como babá e cuidador de idosos registraram rendimentos mais elevados, enquanto motoristas alcançaram valores superiores e a ocupação de enfermeiro apresentou a maior média salarial, embora com baixa representatividade no total de vínculos.
Com o mapeamento da distribuição geográfica dos postos de trabalho, identificou-se maior concentração nos estados mais populosos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de participação relevante em estados do Nordeste. O levantamento destacou ainda diferenças regionais de remuneração, com médias mais altas no Sudeste e no Sul em comparação ao Norte e Nordeste.
O estudo atribuiu o avanço da formalização ao fortalecimento do marco legal da categoria, especialmente após a Emenda Constitucional nº 72/2013 e a Lei Complementar nº 150/2015, além da ampliação do uso do eSocial como instrumento de registro e acompanhamento das relações de trabalho doméstico.
Com informações do MTE.
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