Entidade associa publicação a desumanização do luto pelo falecimento da juíza Mariana Ferreira, do TJRS
A AMATRA1, instituição que representa a Magistratura do Trabalho do Estado do Rio de Janeiro, manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento da juíza Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. A perda, ocorrida sob circunstâncias extremamente dolorosas, comove profundamente familiares, amigos e todo o corpo judiciário.
Diante da charge veiculada pela Folha de S.Paulo em 9 de maio de 2026, a AMATRA1 expressa preocupação com a correlação estabelecida entre uma tragédia humana e as discussões públicas acerca do sistema remuneratório da magistratura.
A entidade reitera sua total defesa da liberdade de expressão e reconhece a importância vital da imprensa na fiscalização das instituições, pilar fundamental da nossa democracia. No entanto, é necessário pontuar que certas manifestações ultrapassam o limite da crítica para atingir contornos desumanos, especialmente ao transformar o luto em ferramenta de escárnio ou impacto visual.
O falecimento de uma jovem magistrada em um contexto de saúde reprodutiva traz à tona questões urgentes e sensíveis: o impacto da sobrecarga profissional, a pressão por produtividade e os imensos desafios enfrentados pelas mulheres para conciliar a ascensão na carreira com a vida pessoal.
Em um cenário onde tantas mulheres sacrificam planos familiares para ocupar espaços de poder, é lamentável que um episódio tão trágico seja reduzido a debates financeiros, ignorando a complexidade e a dignidade da vida humana.
A AMATRA1 solidariza-se com os entes queridos da Juíza Mariana Francisco Ferreira e com todas as magistradas que lutam diariamente pelo equilíbrio entre o dever profissional e o bem-estar pessoal.
Por fim, reafirmamos nosso compromisso inabalável com os direitos humanos e com a construção de um debate público ético e respeitoso diante de perdas irreparáveis.
Rio de Janeiro, RJ, 10 de maio de 2026.
RAFAEL PAZOS
Presidente da AMATRA1