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Casos de violência doméstica aumentam durante isolamento social

Casos de violência doméstica aumentam durante isolamento social
O maior tempo de convivência com os parceiros em casa durante o isolamento social tem sido uma realidade difícil para muitas brasileiras. Durante a quarentena, iniciada oficialmente na segunda quinzena de março, houve aumento dos casos de violência doméstica. As maiores cidades do Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo, registram dados alarmantes.

No estado de São Paulo, os pedidos de socorro subiram 20%, aproximadamente, durante o período de isolamento social decretado pelo governo do estado. Dados da Secretaria da Segurança Pública, divulgados pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (20), mostram que a Polícia Militar fez 7.933 atendimentos entre 20 de março e 13 de abril deste ano, enquanto, de 22 de março a 15 de abril, havia registrado 6.624 chamadas. 

Nos primeiros dias da quarentena, a Justiça do Rio de Janeiro registrou um aumento de 50% de casos envolvendo violência doméstica. De acordo com a juíza Adriana Mello, titular da vara de violência doméstica do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, as demandas representam cerca de 70% do Plantão Judiciário. “Infelizmente, são mulheres que estão precisando de proteção imediata, como medidas protetivas”, disse a magistrada, ao RJTV.

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O cenário de violência se espalha por todo o Brasil. Segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o número de chamadas no canal de denúncias Ligue 180 cresceu 9% — de 3.045 ligações e 829 denúncias, entre os dias 1° e 16 de março, para 3.303 e 978, respectivamente, entre 17 e 25 de março.

“Nos 12 meses anteriores, 243 milhões de mulheres e meninas (de 15 a 49 anos) em todo o mundo foram submetidas à violência sexual ou física por um parceiro íntimo. À medida que a pandemia da Covid-19 continua, é provável que esse número cresça com múltiplos impactos no bem-estar das mulheres, em sua saúde sexual e reprodutiva, em sua saúde mental e em sua capacidade de participar e liderar a recuperação de nossas sociedades e economia”, afirmou a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, no artigo “Violência contra mulheres e meninas é pandemia das sombras”.

Acolhimento e informação

Em meio ao aumento da violência contra a mulher, iniciativas criam formas para acolher e informar as mulheres vitimadas pela violência dentro de casa. Uma delas é a campanha #VizinhaVocêNãoEstáSozinha, elaborada pelo “Agora É Que São Elas”, blog da Folha de S.Paulo. O grupo sugere uma ação de ajuda entre as mulheres. A ideia é que amarrem um laço em uma parte visível de suas casas para que vizinhas saibam que podem contar umas com as outras caso precisem de ajuda. Veja o vídeo da campanha #VizinhaVocêNãoEstáSozinha.

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos também lançou campanha para informar sobre as agressões sofridas por mulheres e incentivar o apoio entre vizinhos. Foram criados cartazes e panfletos orientando sobre os atos de violência previstos na lei Maria da Penha e informando canais de denúncias, como o Ligue 180, que funciona 24 horas por dia com garantia de anonimato; o aplicativo Direitos Humanos Brasil; e o portal da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH).



A cartilha “Mulheres na Covid-19”, criada pela Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres (SNPM), dá dicas para se proteger durante a pandemia. Além de sugestões sobre saúde e mercado de trabalho, o material também é voltado ao enfrentamento à violência doméstica. A cartilha contém informações detalhadas sobre formas de denunciar agressões e sobre locais de apoio, como a Casa da Mulher Brasileira e os Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência.

*Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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