Recursos voltaram a ser repassados em 2025 após sete anos de descontinuidade, beneficiando ações em mais de mil municípios
O governo federal retomou, em 2025, o cofinanciamento às Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (AEPETIs), interrompido desde 2019. Com isso, estados e municípios passam a contar novamente com repasses recorrentes de R$ 79,8 milhões para o combate a diferentes formas de trabalho infantil. A medida também amplia a capacidade de identificação e acompanhamento de crianças e adolescentes em situação de violação de direitos.
A iniciativa do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) atende mais de mil municípios em todo o país e busca responder à realidade de 1,9 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, segundo dados do IBGE.
A política recompõe o pacto federativo ao restabelecer repasses regulares para ações executadas no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), após um período marcado pela redução de recursos desde 2016 e pela ausência de financiamento continuado entre 2019 e 2022. Os valores variam conforme a população dos municípios e a incidência do problema nos estados.
O novo ciclo de financiamento alcança municípios de pequeno porte até grandes metrópoles, com repasses mensais que vão de R$ 3.600 a R$ 17 mil, enquanto os estados recebem entre R$ 12 mil e R$ 50 mil por mês, de acordo com o número de localidades prioritárias sob sua responsabilidade. Até o momento, 925 municípios formalizaram adesão, e uma nova etapa permanece aberta para ampliar a cobertura.
A retomada acontece em um contexto de revisão institucional após a identificação de um apagão de informações sociais. Registros oficiais do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) apontaram queda expressiva nos dados sobre trabalho infantil e crianças em situação de rua entre 2019 e 2022, movimento associado à interrupção de atividades coletivas, aos efeitos da pandemia e à fragilização dos sistemas de informação, sem correspondência com a realidade social.
Desde 2023, o MDS passou a executar ações voltadas à requalificação dos registros e ao fortalecimento da capacidade técnica das equipes do SUAS, com impactos ainda em consolidação. Dados do IBGE indicaram aumento das violações de direitos no mesmo período em que os registros administrativos diminuíram, evidenciando a perda de visibilidade institucional.
A atual fase do programa redefine critérios de priorização ao adotar metodologias baseadas na PNAD Contínua, no Censo Demográfico e em indicadores de violência. A estratégia direciona esforços para crianças e adolescentes em situação de rua, vítimas de exploração sexual, populações indígenas e quilombolas, além de grupos afetados por emergências climáticas, fluxos migratórios, tráfico de drogas e novas formas de trabalho infantil associadas ao ambiente digital.
O plano também incorpora a ampliação do olhar sobre modalidades contemporâneas de exploração, como a atuação de crianças em plataformas digitais, jogos e redes sociais, incluindo situações de exploração sexual online. Segundo o MDS, o desenho das ações considera transformações recentes no mercado de trabalho e no uso de tecnologias.
Além do aporte financeiro, a política prevê apoio técnico continuado, produção de materiais de orientação e articulação entre a proteção social básica e especial. As ações dialogam diretamente com o trabalho desenvolvido nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e com o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), com foco na prevenção e na identificação precoce de riscos.
As AEPETIs estão organizadas em cinco eixos — informação, identificação, proteção social, defesa e monitoramento — e incluem desde buscas ativas em territórios até a articulação com o Sistema de Justiça e de Garantia de Direitos, visando a responsabilização de pessoas físicas e jurídicas envolvidas em práticas de trabalho infantil.
Com informações do Portal Gov.br.
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