O 1º Encontro de Juízas no Supremo Tribunal Federal (STF), com a ministra Cármen Lúcia, reuniu mais de 200 magistradas de todo o país para debater questões de gênero no Judiciário, na quinta-feira (20), em Brasília (DF). A delegação do TRT-1, com 17 pessoas, foi a maior entre os Tribunais Regionais do Trabalho, organizada pela desembargadora Márcia Regina Leal Campos e composta integralmente por associadas da AMATRA1. A 1ª vice-presidenta da Associação, Fernanda Stipp, destacou a importância do evento para traçar estratégias em favor da equidade de gênero no sistema de Justiça. “As mulheres estão na magistratura, mas ainda não ocupam os espaços de poder na mesma proporção que os homens”, afirmou.
A ministra Cármen Lúcia trouxe os holofotes para a necessidade de transformar o debate sobre igualdade de gênero em propostas concretas que possibilitem uma mudança institucional. Para Fernanda, “a mulher ainda não é reconhecida como uma figura de autoridade”. Ela ressaltou que, historicamente, o corpo feminino foi tratado como posse e esta lógica não desaparece quando a mulher ocupa espaços de poder. Segundo ela, embora as magistradas exerçam a mesma função dos homens, ainda há um acúmulo maior de responsabilidades e cobranças sociais sobre os ombros das mulheres.
Na opinião da juíza Lila Carolina Mota, a possibilidade de reunir magistradas de diferentes áreas em um evento tão plural foi inspiradora. Segundo ela, existem desafios comuns, mas também há realidades muito distintas. “A ministra Cármen Lúcia mencionou expressamente as juízas do Trabalho como uma das mais sujeitas à violência em razão de suas atividades, ao lado das juízas que atuam nas áreas de família e violência doméstica”, relatou.
Maior delegação
A presença de 17 associadas da AMATRA1 no encontro foi marcante. Para Fernanda, a AMATRA1 tem um forte protagonismo feminino em sua história. “Talvez, a presença tão expressiva das associadas do Rio neste encontro revele justamente que as mulheres da AMATRA1 estão dispostas não apenas a identificar essas desigualdades de gênero, mas também a participar da construção das soluções para os problemas”, afirmou.
“Essa presença mostra que existe uma mobilização efetiva em torno da pauta da equidade e que a AMATRA1 tem desempenhado um papel importante nesse processo. Uma associação de magistradas e magistrados não deve se limitar à defesa das questões corporativas. Ela também tem uma responsabilidade institucional e social”, disse Lila.
Participaram do evento pela AMATRA1 as associadas Anélita Assed Pedroso, Daniela Valle da Rocha Muller, Fernanda Stipp (1ª vice-presidenta da AMATRA1), Kiria Simões Garcia, Lila Carolina Mota Pessoa Igrejas Lopes (secretária-geral da AMATRA1), Luciana Gonçalves de Oliveira Pereira das Neves, Márcia Regina Leal Campos, Marise Costa Rodrigues, Mônica Batista Vieira Puglia, Natalia Queiroz Cabral Rodrigues (diretora de Direitos Humanos da AMATRA1), Nelise Maria Behnken, Quésia Falcão de Dutra, Raquel de Oliveira Maciel, Renata Jiquiriçá, Rita de Cassia Ligiero Armond, Roberta Ferme Sivolella e Simone Poubel Lima.
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