Magistrados(as) integram programação do Rio Innovation Week 2026 com debates sobre equidade, inclusão, saúde mental e futuro das relações de trabalho
O Rio Innovation Week 2026, de 4 a 7 de agosto, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, terá seis magistrados associados da AMATRA1 em sua programação oficial. Ronaldo Callado, Adriana Pinheiro, Márcia Leal, Bárbara Ferrito, Camila Leal e Mônica Puglia debaterão temas sociais relevantes para a Justiça do Trabalho, como equidade, diversidade, inclusão, saúde mental ocupacional e inovação nas relações de trabalho. A presença dos juízes no maior evento de tecnologia e inovação do país reforça o diálogo entre o Poder Judiciário e a sociedade civil. Os ingressos ainda estão à venda.
Em um dos painéis, Ronaldo Callado, Adriana Pinheiro, Márcia Leal e a servidora Suzana Fernandes apresentam as principais iniciativas do Subcomitê de Equidade, Raça, Gênero e Diversidade do TRT-1. A exposição deve abordar as políticas institucionais para promoção da inclusão e dos direitos humanos, além de ações desenvolvidas para aproximar o Tribunal de diferentes segmentos da sociedade.
A agenda do evento também inclui uma palestra da juíza Camila Leal sobre a efetividade da Norma Regulamentadora nº 1, conhecida como NR-1, e a produção de provas em saúde mental ocupacional. Também está programada uma mesa com a juíza Bárbara Ferrito sobre diversidade e inclusão nas organizações, além de uma apresentação da desembargadora Mônica Puglia.
Subcomitê leva políticas de equidade ao Rio Innovation Week
Segundo o juiz Ronaldo Callado, cofundador da Comissão LGBTQIAPN+ da Anamatra, a apresentação do Subcomitê de Equidade, Raça, Gênero e Diversidade do TRT-1, na terça-feira (4), vai reunir propostas desenvolvidas desde sua ampliação, como a adoção do nome social de dependentes de servidores, a iluminação da sede do Tribunal em datas de conscientização e a realização de eventos e ações voltadas à população trans em situação de vulnerabilidade. “Vamos continuar estimulando essas boas práticas sobre diversidade, tanto interna quanto externamente”, afirmou Callado.
O magistrado também destacou a relevância de levar essas iniciativas para um evento de grande porte, que reúne diferentes áreas do conhecimento e públicos variados. Para ele, a participação da Justiça do Trabalho demonstra uma atuação para além da atividade jurisdicional e contribuiu para o desenvolvimento de medidas concretas voltadas à inclusão e à diversidade social.
Para a desembargadora Márcia Leal, a participação representa uma oportunidade de apresentar à sociedade políticas que normalmente ficam restritas ao ambiente interno do TRT-1. “As pessoas vão perceber que o Judiciário está deixando de ser só aquele ente que depende de provocação. Estamos saindo do castelo para perceber as necessidades da sociedade brasileira e tentando, de fato, abrir as portas para incluir todas essas pessoas”, concluiu.
A juíza Adriana Pinheiro destacou que a participação do Tribunal no evento representa uma oportunidade de aproximar o Poder Judiciário da sociedade e apresentar as ações desenvolvidas pelo Subcomitê. “Estamos tentando implementar políticas institucionais que melhorem a qualidade de vida desses trabalhadores, seja magistrados, servidores e terceirizados, para que eles se sintam acolhidos e se vejam representados em todas as esferas de poder, em todos os cargos e todas as funções dentro do TRT-1”, concluiu.
Evidência científica na aplicação da NR-1
Na quarta-feira (5), a juíza Camila Leal participa de um debate sobre a efetividade da NR-1, em vigor desde maio, na avaliação da saúde mental no trabalho, ao lado do médico neurologista, neurocientista e jurista Sergio Luis Schmidt. A magistrada vai discutir o papel da pesquisa científica na implementação da norma e apresentará um projeto voltado à construção de um modelo de governança da prova em saúde mental ocupacional, baseado em instrumentos internacionalmente validados e critérios auditáveis para qualificar decisões técnicas e judiciais. Segundo Camila, o objetivo é levar a discussão sobre métodos científicos para além do ambiente judicial, em um momento em que o tema também está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF).
Para a juíza, a entrada em vigor da NR-1 impulsionou o uso de instrumentos para medir riscos psicossociais, mas nem todos possuem validação científica. Em pesquisa desenvolvida por ela, 90,9% das sentenças analisadas acompanharam o laudo pericial, mesmo diante de falhas metodológicas. “A palestra parte de uma pergunta que a NR-1 tornou inevitável: o que a Justiça vai aceitar como ciência na avaliação da saúde mental no trabalho. Desde a entrada em vigor da norma, o mercado respondeu com muitos instrumentos para medir risco psicossocial, nem sempre validados. Essa distância entre aparência e método não se resolve na empresa. Chega à Justiça do Trabalho, onde a qualidade da prova pericial decide o desfecho”, pontua Camila.
Inovação e conciliação na Justiça do Trabalho
A desembargadora Mônica Puglia participa, também na quarta-feira (5), de um debate sobre inovação no Poder Judiciário, destacando iniciativas para a ampliação do acesso à Justiça por meio da conciliação e da transformação digital. Segundo a magistrada, a meta é apresentar ferramentas desenvolvidas pelo TRT-1 para estimular acordos e tornar a solução de conflitos mais eficiente, entre elas assistentes de inteligência artificial integrados ao Chat-JT, além de projetos como o “Somos Conciliadores”, o “Conciliômetro” e o “Bom para Acordo”, que incentivam soluções consensuais.
Para Mônica, o Poder Judiciário vem assumindo um papel mais próximo da sociedade ao investir em inovação, diálogo e cooperação institucional. “O Poder Judiciário do século XXI deixou de ser uma instituição distante, passiva ou indiferente às transformações da sociedade. Ao contrário, é uma instituição que cria espaços, aproxima, escuta, dialoga e compreende que o acesso à Justiça não se resume à prolação de uma sentença. Estamos investindo na inovação e na conciliação para transformar conflitos em soluções sustentáveis, prevenir novas demandas e fortalecer a confiança da sociedade na Justiça”, concluiu a desembargadora.
Diversidade em prática
A juíza Bárbara Ferrito integra, na quinta-feira (6), uma mesa dedicada à diversidade e à inclusão nas organizações. O debate reúne representantes de diferentes áreas para discutir como transformar compromissos institucionais em políticas, lideranças e boas práticas para promover ambientes mais equitativos, inovadores e representativos.
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