Promoção reconhece mais de três décadas de serviço na magistratura trabalhista fluminense; novo desembargador comenta os desafios atuais da Justiça do Trabalho
Nomeado desembargador do TRT-1 em 8 de julho, André Gustavo Bittencourt Villela encara a promoção ao segundo grau da carreira como um reconhecimento por seus quase 33 anos de dedicação à Justiça do Trabalho. Em entrevista à AMATRA1, o magistrado fala sobre as expectativas para o novo cargo e projeta uma atuação pautada no diálogo aberto com juízes, servidores e advogados.
A promoção de Villela, pelo critério de merecimento, foi publicada no Diário Oficial da União no mesmo dia da posse. Integrante do TRT-1 desde 1993, o novo desembargador iniciou a carreira como juiz substituto, sendo promovido a titular em 2001. Atuou em Varas do Trabalho da capital, de Campos dos Goytacazes e de Niterói, onde estava à frente da 8ª Vara do Trabalho desde 2020. No âmbito associativo, o magistrado foi presidente da AMATRA1 na gestão de 2009 a 2011.
A data da ratificação da posse perante o Órgão Especial do TRT-1 ainda será definida.
Leia a íntegra da entrevista com o novo desembargador do TRT-1, André Villela:
AMATRA1: O que representa, em sua trajetória na magistratura trabalhista, a promoção ao cargo de desembargador?
André Villela: Ser desembargador representa, para muitos, a última etapa da carreira. Para mim, é muito importante ter chegado a esse nível, porque me sinto coroado pelos quase 33 anos de magistratura. Vejo a promoção como um reconhecimento.
AMATRA1: Quais experiências da sua atuação no primeiro grau foram mais importantes para essa nova etapa?
André Villela: Atuei muito no primeiro grau e andei, praticamente, pelo estado do Rio de Janeiro inteiro. Minha relação não apenas com as partes, mas também com os advogados, é fundamental. Como magistrados, estamos a serviço do povo e dos advogados, e precisamos manter as portas sempre abertas. Assim, trago uma bagagem importante de relacionamento interpessoal, além de uma experiência de muitos anos, que vai me ajudar a analisar os processos sob outra perspectiva.
AMATRA1: Como o senhor avalia os principais desafios da Justiça do Trabalho atualmente?
André Villela: A Justiça do Trabalho vive uma situação cíclica em que sempre é atacada e querem acabar com ela. Eu não consigo imaginar isso, porque ela é importantíssima para resolver as relações entre trabalhadores e tomadores de serviço. Nosso desafio é diário. Muitas vezes, tentam desacreditar o Poder Judiciário e, especialmente, a Justiça do Trabalho. Não se trata de uma justiça voltada para um lado ou para outro, mas de uma instituição preocupada com uma relação justa entre empregador e empregado.
AMATRA1: Quais aprendizados mais marcantes o senhor adquiriu no contato com trabalhadores, empregadores e advogados?
André Villela: Eu tinha 27 para 28 anos quando ingressei na magistratura. Já vivi mais tempo dentro do Tribunal do que fora dele. O aprendizado nesta carreira é contínuo. Passamos a observar as relações humanas e as situações do cotidiano de uma forma diferente. Essa experiência se constrói ao longo do tempo.
AMATRA1: Que mensagem o senhor gostaria de transmitir aos magistrados e servidores que acompanharam sua trajetória?
André Villela: Só tenho a agradecer a todos que torceram por mim e estiveram ao meu lado. Passei por várias varas e trabalhei com muita gente. Podem ter certeza de que poderão contar comigo sempre. Meu gabinete estará aberto para todos. Também vou valorizar muito a advocacia e os servidores da Justiça do Trabalho, porque sem eles não adianta falar em Poder Judiciário.
AMATRA1: O senhor gostaria de registrar um agradecimento especial?
André Villela: Sempre agradeço aos meus pais pela educação que me deram. Também agradeço à AMATRA1 e à Anamatra. A vida associativa é muito importante para mim, porque me permitiu construir relacionamentos, conhecer colegas e ampliar minha visão institucional. Essa experiência contribui para este momento da minha trajetória.
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