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Participação feminina pauta encontro nacional da magistratura

Participação feminina pauta encontro nacional da magistratura
Frame do encontro em formato telepresencial/Anamatra

Evento da Anamatra reuniu lideranças, relançou pesquisa e discutiu estratégias para ampliar presença de magistradas em espaços de poder

O 7º Encontro da Comissão Anamatra Mulheres e de Lideranças Associativas Femininas, em formato telepresencial, mobilizou magistradas, magistrados e dirigentes associativos em torno da ampliação da presença feminina nos espaços políticos do Judiciário, com debates, oficinas e o relançamento de pesquisa institucional. A programação do encontro, que reuniu cerca de 80 participantes, contou com exposições e atividades práticas, além de debates voltados à formulação de propostas para a equidade de gênero no âmbito da magistratura trabalhista.

A AMATRA1 marcou presença na atividade com a vice-presidenta Fernanda Stipp e com a juíza Maria Zilda Neta, que participaram dos debates e das reflexões sobre os entraves institucionais à ascensão feminina.

Ao falar sobre violência de gênero, a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha pontuou que conceitos como democracia, igualdade e dignidade humana estão inter-relacionados. Ela disse que o fato de uma mulher ser vítima de violência no país, a cada seis segundos, revela que “estamos em situação de inconstitucionalidade permanente”. A magistrada também sustentou que a composição do Judiciário interfere na própria prestação jurisdicional, ao afirmar que a ausência de perspectiva de gênero compromete a qualidade das decisões.

Na mesma linha, a juíza Bárbara Lívio direcionou a análise para entraves estruturais e institucionais, apontando desigualdades persistentes e defendendo a construção de um “pacto de subversão” como estratégia de enfrentamento das barreiras à presença feminina em espaços de poder.

Ao analisar esse cenário, a juíza Maria Zilda Neta destacou a permanência de “sub-representação em cargos de cúpula e a consequente assimetria de poder”, associando o quadro à predominância de trajetórias masculinas nos postos de liderança. A magistrada também identificou obstáculos concretos no cotidiano profissional, como a insuficiência de políticas institucionais voltadas à maternidade e ao enfrentamento da divisão desigual de responsabilidades familiares, além da necessidade de atuar contra estereótipos de gênero.

Maria Zilda explicou a proposta de “pacto de subversão” como um movimento de revisão interna das práticas institucionais, ao afirmar que se trata de um “chamamento à desconstrução consciente e deliberada das normas e práticas que, embora aparentemente neutras, perpetuam o status quo e a exclusão”. Nesse contexto, defendeu a adoção de medidas como a revisão de critérios de promoção, o fortalecimento de ações afirmativas e a criação de espaços de escuta qualificada.

A programação também privilegiou oficinas temáticas que discutiram letramento de gênero, barreiras à igualdade material, dificuldades de acesso a cargos de liderança e fatores que influenciam a participação feminina em processos decisórios, com foco na formulação de propostas concretas.

O encontro marcou o relançamento da pesquisa “Condições de Trabalho da Magistratura Trabalhista”, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Ceará, com o objetivo de mapear percepções sobre o exercício da jurisdição e subsidiar a formulação de políticas institucionais voltadas ao enfrentamento das adversidades identificadas.

Com informações do Anamatra

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