Notícias

Presidenta aponta desvalorização da mulher no mercado de trabalho

Presidenta aponta desvalorização da mulher no mercado de trabalho
O lançamento do 1º Relatório Nacional de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios pelos ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e das Mulheres evidencia mais ainda a disparidade salarial entre homens e mulheres no Brasil. A presidenta da AMATRA1, Daniela Muller, comentou os resultados e a persistência da desigualdade salarial de gênero ao longo dos anos.

“O relatório sinaliza que é recente essa postura de questionar, uma vez que foi naturalizado, muitos e muitos anos, essa desvalorização salarial da mulher, principalmente sob uma visão bem consolidada, na primeira metade do século passado, de que o trabalho remunerado da mulher seria secundário e complementar”, afirmou a juíza do Trabalho. 

Segundo a presidenta, até mesmo as regras de Direito do Trabalho foram pensadas e instituídas muito para o paradigma do homem trabalhador, com a mulher vista como exceção. Ela argumenta que, apesar do trabalho feminino ser visto como secundário e de auxílio, a realidade mostra o oposto. Na história do país,  milhares de mulheres atuaram em atividades extenuantes e perigosas, em ambientes fabris ou em lavouras, com remunerações baixas.

De acordo com os dados do relatório, as mulheres recebem em média 19,4% a menos que os homens, com uma diferença ainda mais acentuada em cargos de liderança, que chega a 25,2%. 

“A situação é ainda mais grave quando se trata da mesma função, porque aí a desvalorização da mão de obra feminina fica ainda mais evidente, além de ser uma situação absolutamente ilegal”, disse a presidenta ao relembrar que a CLT proíbe que pessoas com a mesma atividade tenham remuneração diferenciada.

Os números apresentados também demonstram que apenas 32,6% das empresas possuem políticas de incentivo à contratação de mulheres, enquanto 38,3% organizam ações para a promoção de mulheres a cargos de gerência. No recorte por raça/cor,  as mulheres negras recebem em média R$ 3.040,89, o que corresponde a 66,7% da média salarial das não negras.

Daniela Muller ratificou a constatação do relatório e falou como a interseccionalidade de gênero e raça evidencia a desvalorização das mulheres negras em um mercado de trabalho que tende a hierarquizar os seres humanos e rebaixar os salários dos cargos ocupados por elas.

A pesquisa nacional foi elaborada a partir das informações enviadas por 49.587 estabelecimentos com cem ou mais empregados. O relatório contém dados sobre salários, remunerações, critérios de remuneração, recortes das unidades federativas, políticas de incentivo para contratação de mulheres com deficiência, vítimas de violência e LBTQIAP+.

Foto: Imagem ilustrativa / Freepik.

Leia mais: Uso de banheiro conforme identidade de gênero é direito

Lucros com o trabalho escravo somam US$ 236 bi por ano

Juiz lança glossário que traduz termos jurídico-trabalhistas
We use cookies

We use cookies on our website. Some of them are essential for the operation of the site, while others help us to improve this site and the user experience (tracking cookies). You can decide for yourself whether you want to allow cookies or not. Please note that if you reject them, you may not be able to use all the functionalities of the site.