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Acidentes de trabalho crescem 10,6% em 2024 e afetam mais trabalhadores negros

Acidentes de trabalho crescem 10,6% em 2024 e afetam mais trabalhadores negros
Fernando Frazão/Agência Brasil

Anuário do Ministério da Previdência contabiliza 834 mil ocorrências com impacto maior para pretos e pardos 

Os acidentes de trabalho no país aumentaram 10,6% em 2024 em relação a 2023, saltando de 754.382 para 834.048 ocorrências, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho do Ministério da Previdência Social, divulgado no fim de dezembro. A maior concentração de acidentes foi em atividades de atendimento hospitalar, comércio varejista e transporte rodoviário de cargas.

O relatório também destacou um salto nos acidentes de trajeto, que cresceram 17,8% em relação a 2023. Em dois anos, o aumento foi de 45,3%, passando de 124,8 mil em 2022 para 181,3 mil em 2024.  

O anuário revela que, entre os acidentes com informação racial, 417,6 mil envolveram trabalhadores pretos e pardos, enquanto 360,9 mil atingiram pessoas brancas. Na comparação entre 2024 e 2023, o número de registros cresceu quase 16% entre pretos e pardos e 9,7% entre brancos, evidenciando ritmos distintos de crescimento conforme o grupo populacional.

A análise por atividade econômica apontou o atendimento hospitalar como o setor com maior número absoluto de acidentes em 2024, com 70.874 registros, seguido pelo comércio varejista, com 35.324, e pelo transporte rodoviário de cargas, com 24.931 ocorrências.

O levantamento constatou ainda que 88,1% do total de acidentes geraram assistência médica (193 mil casos) e afastamento das atividades laborais por menos de 15 dias (557 mil). Foram identificadas 9.315 situações de invalidez permanente e 3.394 mortes associadas a acidentes de trabalho no período. Em 2023, foram 2.783  mortes. 

Ao sistematizar esses dados, o anuário consolidou um retrato atualizado das ocorrências laborais no país e passou a oferecer recortes mais detalhados sobre perfil dos trabalhadores afetados, tipos de acidente, setores envolvidos e consequências registradas.

O 7º Simpósio da Escola Judicial do TRT da 1ª Região,  em novembro de 2025, no TRT-1, também refletiu sobre essa realidade. O evento debateu as raízes históricas e estruturais do racismo no Brasil e seus impactos nas relações de trabalho.

Na programação, a juíza Bárbara Ferrito analisou como as próprias estruturas institucionais e jurídicas ainda reproduzem desigualdades raciais e sociais no mundo do trabalho, o que dificulta a construção de ambientes profissionais mais justos. Ela afirmou que o sistema de justiça só consegue enfrentar essas distorções de forma efetiva quando reconhece a existência de práticas de “dominação extrema” e de condições degradantes, muitas vezes naturalizadas, pois esse reconhecimento é essencial para identificar corretamente as violações e atuar de maneira mais precisa contra as desigualdades estruturais.

Com informações do Portal Gov.br.

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