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Desigualdade no mercado de trabalho brasileiro persiste

Recentes números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam um panorama desafiador em relação à desigualdade no mercado de trabalho brasileiro. Em meio a dados positivos sobre a expansão da renda e o aumento da participação em programas sociais. Bárbara Ferrito, integrante do Conselho Editorial da AMATRA1, enfatiza a importância de uma análise da desigualdade social que leve em consideração a interseccionalidade.

A juíza reconhece que múltiplos marcadores de vulnerabilidade se entrelaçam desigualdade não pode ser compreendida apenas em termos de classe social, e impactam simultaneamente as mesmas pessoas. Ela destaca que a mas também precisa considerar como raça, gênero, orientação sexual e identidade de gênero contribuem para intensificar essa disparidade.

“Quando olhamos esses marcadores próprios, percebemos que as mulheres negras são as maiores no grupo de chefes de família e as famílias mais pobres são as chefiadas por mulheres negras, mostrando que a raça e o gênero confluem para intensificar a desigualdade de classe. Percebemos também que as pessoas trans sofrem um impacto muito grande em relação à questão de classe”, disse a magistrada, que ressalta ainda o papel do poder Judiciário como promotor da igualdade e da dignidade humana.

As estatísticas revelam uma realidade de desigualdade persistente para as mulheres pretas ou pardas no Brasil. Elas enfrentam uma carga desproporcional de afazeres domésticos e de cuidados, dedicando 1,6 hora a mais por semana do que as mulheres brancas nessas tarefas. Sua participação no mercado de trabalho é significativamente menor, com uma diferença de 19,9 pontos percentuais em relação aos homens. 

As mulheres pretas ou pardas também enfrentam desvantagens educacionais, com menor representação entre as que completaram o ensino superior e em áreas como as ciências exatas. No que diz respeito à renda, embora tenham, em média, maior escolaridade que os homens, as mulheres ainda recebem menos, com o rendimento equivalente a 78,9% do recebido por eles. Enfrentam taxas de informalidade mais altas e são mais afetadas pela pobreza.

A proporção de domicílios com beneficiários do Bolsa Família atingiu o maior patamar da série histórica em 2023, representando 19,0% dos domicílios, com os maiores percentuais nas regiões Norte e Nordeste. O rendimento médio per capita dos domicílios que recebiam o Bolsa Família cresceu 42,4% entre 2019 e 2023.

A desigualdade de renda permaneceu alta, com os 10% da população com maiores rendimentos recebendo 14,4 vezes mais do que os 40% da população com menores rendimentos. O índice de Gini ficou estável em 0,518, o menor valor da série histórica. No entanto, diferenças regionais persistem, com o Nordeste ainda apresentando a maior desigualdade na distribuição de renda.

“Eu entendo que esses números demonstram como o discurso de que se a gente flexibilizar o trabalho, a gente consegue uma maior inserção e maior dignidade do trabalhador, é um discurso falacioso. Então precisamos superar esse discurso e perceber que só o fortalecimento do trabalho e das relações de trabalho saudáveis e decentes é que vão fazer com que o Brasil diminua seus índices de desigualdade”, concluiu a juíza do Trabalho.

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil.

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