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Segundo OIT, desigualdades ainda travam o avanço da justiça social no mundo

Segundo OIT, desigualdades ainda travam o avanço da justiça social no mundo
Antônio Cruz/Agência Brasil

 Estudo aponta que, apesar de avanços em educação e redução da pobreza, a confiança nas instituições sofreu queda, o que agrava obstáculos à equidade

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou um relatório em que destaca a redução da pobreza extrema de 39% para 10% desde 1995 e do trabalho infantil, mas alerta que desigualdades econômicas e de gênero permanecem elevadas. A informalidade continua alta e a confiança global nas instituições caiu significativamente, comprometendo o progresso da justiça social em escala mundial. Outro ponto considerado preocupante foi a queda ínfima, nas últimas duas décadas, na  diferença da participação de homens e mulheres no mercado de trabalho. 

O documento, que antecede a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social em Doha, enfatiza que políticas estruturadas em proteção social, capacitação e equidade salarial são essenciais para enfrentar mudanças climáticas, digitais e demográficas e criar oportunidades de inclusão.

O relatório ressalta que, desde 1995, a taxa de trabalho infantil entre crianças de 5 a 14 anos caiu pela metade e a pobreza extrema recuou de 39% para 10%. Apesar desses progressos, 71% da renda individual ainda dependem de condições de nascimento, como país e gênero. No mercado de trabalho, a diferença de participação entre homens e mulheres permanece 27 pontos percentuais, mesmo após uma redução de apenas três pontos desde 2005. Já em relação aos salários, a OIT estima que, mantido o ritmo atual, serão necessários cem anos para eliminar a desigualdade de gênero.

Apesar de a cobertura de proteção social atingir mais da metade da população mundial e a conclusão do ensino primário ter aumentado dez pontos percentuais, o avanço na formalização do trabalho mostrou-se limitado, com apenas dois pontos percentuais de redução da informalidade em duas décadas, mantendo 58% dos trabalhadores em condições precárias.

O relatório também destaca que a confiança nas instituições tem declinado desde 1982, evidenciando frustração com a distribuição desigual de oportunidades e ganhos econômicos. A OIT alerta que essa erosão pode afetar a legitimidade de sistemas democráticos e comprometer a cooperação internacional, reforçando a necessidade de políticas consistentes e inclusivas.

Segundo o documento, mudanças rápidas no mercado de trabalho, provocadas por transformações digitais, climáticas e demográficas, exigem medidas estratégicas, incluindo sistemas salariais justos, investimento em capacitação e políticas ativas de emprego, para evitar ampliação das desigualdades existentes.

O relatório servirá como base para discussões na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social, marcada para novembro, e para o trabalho da Coalizão Global para a Justiça Social, iniciativa da OIT que reúne governos, sindicatos e empregadores para acelerar ações coordenadas em direção a sociedades mais equitativas.

Com informações do OIT.

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