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TST defende lei para regular trabalho por aplicativo e encerrar debate no Supremo

Presidente da Corte trabalhista diz que consenso legislativo pode trazer segurança jurídica a trabalhadores e plataformas

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou em entrevista ao jornal O Globo que a regulamentação do trabalho por meio de aplicativos deve ser feita pelo Congresso Nacional para garantir proteção aos profissionais sem prejudicar modelos econômicos e “encerrar a falsa ideia de conflito” com o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a proposta em negociação com participação do TST deve avançar no Legislativo até fevereiro ou março, fornecendo um marco legal claro para serviços intermediados por plataformas digitais.

Vieira de Mello destacou a importância de um marco normativo que combine segurança jurídica, proteção previdenciária e transparência nos contratos com plataformas, além de evitar “superexploração” de trabalhadores que atuam sem garantias como FGTS ou cobertura previdenciária. O ministro afirmou que a regulação precisa assegurar que diferentes modelos de negócios continuem viáveis, mas sob padrões que garantam direitos básicos aos prestadores de serviço.

O posicionamento ocorre em meio a intensos debates no Congresso sobre projetos de lei que tratam da atividade dos motoristas e entregadores por aplicativos, como o PLP 152/2025, que tem sido discutido em comissões especiais para definir regras de jornada, proteção social e remuneração. Parlamentares e especialistas debatem propostas e emendas com o objetivo de equilibrar inovação tecnológica e proteção social.

O juiz do trabalho João Renda, coordenador pedagógico da EMATRA1, afirmou que “a regulamentação do trabalho por plataformas digitais hoje não é apenas necessária, ela é urgente” e apontou como eixo central do debate a definição da responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias.

Segundo ele, enquanto esses trabalhadores continuarem sendo tratados como “contribuintes individuais” e responsáveis tributários diretos, “com renda instável, jornadas longas, custeando os próprios instrumentos de trabalho e assumindo praticamente todos os riscos da atividade, esses recolhimentos simplesmente não vão acontecer”. Ele acrescentou que, na prática cotidiana, “entre pagar aluguel, colocar comida em casa e abastecer a moto, a Previdência sempre ficará para depois”.

A regulamentação é vista como resposta a desafios jurídicos e sociais observados no setor. Atualmente a discussão sobre a natureza da relação de trabalho entre motoristas e plataformas digitais também já chegou ao STF em casos específicos, embora decisões anteriores tenham considerado que não há vínculo empregatício em determinados julgados, sem efeitos gerais.

João Renda ainda descreveu o modelo atual como “profundamente precarizado”, divulgado como “autoempreendedorismo”, mas que “encobre relações de trabalho marcadas por exaustão, insegurança e invisibilidade social”. O resultado são pessoas que trabalham por horas seguidas, muitas vezes sem acesso até mesmo a condições sanitárias mínimas e sem controle real sobre a atividade econômica que exercem.

Também afirmou que, sem regulamentação e proteção social, situações como acidentes, doenças, invalidez e velhice acabam gerando custos que recaem sobre o Estado por meio de benefícios assistenciais, o que torna o modelo “socialmente injusto” e “economicamente irracional”, ao transferir custos privados para toda a sociedade.

Na entrevista, o ministro argumentou que uma lei aprovada pelo Congresso eliminaria a necessidade de decisões judiciais conflitantes ao tratar do tema, reforçando que a existência de norma clara proporciona previsibilidade aos trabalhadores, às empresas e ao próprio Judiciário. Ele disse que o projeto conta com contribuição de plataformas, representantes dos trabalhadores, sindicatos e especialistas, o que permitiu avançar em pontos de consenso, segundo sua avaliação.

Vieira de Mello também colocou a regulação dos cuidadores de idosos e o combate ao trabalho infantil e escravo entre as prioridades de sua gestão no TST, reforçando a ênfase em políticas que ampliem proteção social em contextos contemporâneos.

Especialistas que acompanham o debate legislativo destacam que a regulamentação de trabalho por aplicativo é um tema complexo, que envolve questões de proteção social, formas de remuneração e categorias de profissionais que não se encaixam com facilidade nas estruturas trabalhistas existentes, situação que tem gerado diferentes propostas legislativas e audiências públicas no Congresso.

Para João Renda, regular o trabalho em plataformas “é estabelecer um patamar de dignidade, direitos e proteção social” e significa “trazer essas pessoas para dentro do sistema antes que elas cheguem a situações de extrema vulnerabilidade”, associando a regulação à responsabilidade institucional e ao planejamento de longo prazo.

Com informações do jornal O Globo

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Acidentes de trabalho crescem 10,6% em 2024 e afetam mais trabalhadores negros

Anuário do Ministério da Previdência contabiliza 834 mil ocorrências com impacto maior para pretos e pardos 

Os acidentes de trabalho no país aumentaram 10,6% em 2024 em relação a 2023, saltando de 754.382 para 834.048 ocorrências, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho do Ministério da Previdência Social, divulgado no fim de dezembro. A maior concentração de acidentes foi em atividades de atendimento hospitalar, comércio varejista e transporte rodoviário de cargas.

O relatório também destacou um salto nos acidentes de trajeto, que cresceram 17,8% em relação a 2023. Em dois anos, o aumento foi de 45,3%, passando de 124,8 mil em 2022 para 181,3 mil em 2024.  

O anuário revela que, entre os acidentes com informação racial, 417,6 mil envolveram trabalhadores pretos e pardos, enquanto 360,9 mil atingiram pessoas brancas. Na comparação entre 2024 e 2023, o número de registros cresceu quase 16% entre pretos e pardos e 9,7% entre brancos, evidenciando ritmos distintos de crescimento conforme o grupo populacional.

A análise por atividade econômica apontou o atendimento hospitalar como o setor com maior número absoluto de acidentes em 2024, com 70.874 registros, seguido pelo comércio varejista, com 35.324, e pelo transporte rodoviário de cargas, com 24.931 ocorrências.

O levantamento constatou ainda que 88,1% do total de acidentes geraram assistência médica (193 mil casos) e afastamento das atividades laborais por menos de 15 dias (557 mil). Foram identificadas 9.315 situações de invalidez permanente e 3.394 mortes associadas a acidentes de trabalho no período. Em 2023, foram 2.783  mortes. 

Ao sistematizar esses dados, o anuário consolidou um retrato atualizado das ocorrências laborais no país e passou a oferecer recortes mais detalhados sobre perfil dos trabalhadores afetados, tipos de acidente, setores envolvidos e consequências registradas.

O 7º Simpósio da Escola Judicial do TRT da 1ª Região,  em novembro de 2025, no TRT-1, também refletiu sobre essa realidade. O evento debateu as raízes históricas e estruturais do racismo no Brasil e seus impactos nas relações de trabalho.

Na programação, a juíza Bárbara Ferrito analisou como as próprias estruturas institucionais e jurídicas ainda reproduzem desigualdades raciais e sociais no mundo do trabalho, o que dificulta a construção de ambientes profissionais mais justos. Ela afirmou que o sistema de justiça só consegue enfrentar essas distorções de forma efetiva quando reconhece a existência de práticas de “dominação extrema” e de condições degradantes, muitas vezes naturalizadas, pois esse reconhecimento é essencial para identificar corretamente as violações e atuar de maneira mais precisa contra as desigualdades estruturais.

Com informações do Portal Gov.br.

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Inscrições para vagas da Justiça do Trabalho no CNJ vão até 15 de janeiro

Tribunal selecionará, em fevereiro, os nomes para substituir magistrados cujos mandatos se encerram no primeiro semestre de 2026

O Tribunal Superior do Trabalho recebe, até 15 de janeiro, as inscrições de juízes e desembargadores interessados em disputar as indicações para o Conselho Nacional de Justiça. Com 15 integrantes, o CNJ vai selecionar um magistrado de segundo grau e um de primeiro grau, indicados pelo TST, para atuar como novos conselheiros. Os nomes serão definidos em sessão do Tribunal Pleno, em de 2026, para preencher as vagas que ficarão abertas com o encerramento de dois mandatos este ano. 

Os escolhidos no processo de seleção, aberto desde 10 de dezembro do ano passado, passarão a integrar o conselho do CNJ, responsável pela fiscalização administrativa e disciplinar do Poder Judiciário. A inscrição pode ser feita pelo formulário eletrônico disponibilizado pelo Tribunal

A composição do CNJ é definida em lei, que prevê nove magistrados de instâncias diversas — três ministros de cortes superiores, três juízes de segunda instância e três de primeira instância —, além de seis representantes externos à magistratura, entre membros do Ministério Público, advogados e cidadãos indicados pelo Congresso.

A futura deliberação do Tribunal Pleno buscará preencher as vagas atualmente ocupadas pelo desembargador Alexandre Teixeira de Freitas Bastos Cunha, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, e por Guilherme Guimarães Feliciano, magistrado vinculado à 15ª Região, em Campinas, cujos mandatos se encerram no primeiro semestre deste ano.

Alexandre Teixeira de Freitas Bastos Cunha exerceu anteriormente a presidência da AMATRA1 no biênio 2003–2005. Já Guilherme Guimarães Feliciano presidiu a Anamatra no biênio 2017-2019 e a AMATRA15 no biênio 2011-2013.

Com informações do TST

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