Evento da Justiça do Trabalho reuniu especialistas nacionais e estrangeiros para discutir tecnologia, plataformas digitais, mudanças climáticas e o futuro da proteção trabalhista
Os impactos das transformações tecnológicas, econômicas e ambientais nas relações de trabalho concentraram os debates do Congresso Internacional Diálogos Internacionais: Relações de Trabalho na Sociedade Contemporânea, de 2 a 4 de março no TST, em Brasília. O encontro reuniu autoridades públicas, magistrados, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir mudanças estruturais no mundo do trabalho e respostas institucionais diante de fenômenos como a expansão do trabalho por aplicativos, a gestão algorítmica e os impactos das crises climáticas e econômicas nas relações laborais.
O congresso — que contou com transmissão ao vivo pelo canal da Enamat no YouTube — teve a participação de mais de 800 inscritos de diferentes áreas. Ao longo de três dias, especialistas brasileiros e estrangeiros apresentaram análises sobre os desafios enfrentados pelo Direito do Trabalho diante de modelos produtivos baseados em tecnologia digital, automação e novas formas de organização empresarial.
A abertura do encontro destacou o impacto das transformações tecnológicas sobre o mercado de trabalho e a necessidade de reflexão institucional sobre os efeitos sociais dessas mudanças. Autoridades do Judiciário abordaram temas como precarização laboral, saúde mental dos trabalhadores e o papel do Estado na garantia de direitos fundamentais, em um cenário de reorganização das formas de produção e prestação de serviços.
No painel “Relações de Trabalho Contemporâneas: Análises a partir de Evidências”, a desembargadora Sayonara Grillo destacou a importância de democratizar o debate sobre o trabalho digno e decente, ressaltando que o congresso permitiu refletir e difundir o papel das instituições da Justiça do Trabalho para um público amplo.
Ela parabenizou a Enamat pela “grandiosidade das atividades da Semana, do excepcional Congresso Diálogos internacionais, que nos permitiu acessar, refletir e difundir a importância da regulação do trabalho digno e decente”, destacando o alcance dos eventos que foram abertos ao público interno e externo. Entre os palestrantes, estava o professor Augustus Cochran (Universidade da Carolina do Norte) que, nesta quarta-feira (11), participará ainda da mesa de debates com o tema “Democracia e Trabalho nos EUA: desafios, dilemas e perspectivas atuais”, na Escola Judicial.

Desembargadora Sayonara Grillo, no painel “Relações de Trabalho Contemporâneas: Análises a partir de Evidências”
Os debates também examinaram a relação entre tecnologia e subordinação nas atividades profissionais contemporâneas. Durante as conferências, especialistas analisaram como dispositivos digitais e plataformas de comunicação alteraram os limites entre tempo de trabalho e vida privada, além de discutirem o direito à desconexão e os efeitos dessas transformações sobre a saúde e a proteção jurídica dos trabalhadores.
Outro eixo da programação concentrou discussões sobre o trabalho em plataformas digitais e os desafios do enquadramento jurídico dessas atividades. As apresentações analisaram modelos regulatórios adotados em diferentes países e a tensão entre classificações baseadas na autonomia individual, além da existência de relações de dependência econômica ou organizacional em ambientes digitais.
Outra pauta discutida foi a relação entre trabalho, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Os participantes abordaram os efeitos de eventos climáticos extremos sobre setores produtivos e discutiram a necessidade de integrar políticas de proteção ambiental, inovação tecnológica e garantia de emprego nas estratégias de desenvolvimento.
No encerramento, especialistas estrangeiros examinaram os desafios do Direito do Trabalho em um contexto internacional marcado por tensões econômicas, disputas comerciais e mudanças estruturais na organização da produção. Os debates enfatizaram a necessidade de cooperação internacional e de fortalecimento de mecanismos de proteção social diante da expansão de modelos de trabalho desregulados.
Antes da conferência final, representantes institucionais formalizaram a renovação de um acordo de cooperação técnica entre a Enamat e a Corte Interamericana de Direitos Humanos para intercâmbio acadêmico e desenvolvimento de estudos sobre direitos sociais e direitos humanos. A iniciativa prevê a ampliação do diálogo entre as instituições e o compartilhamento de experiências sobre a proteção jurídica do trabalho.
Ao longo do congresso, a programação abordou diferentes dimensões das transformações no mundo laboral, incluindo liberdade sindical, direito coletivo do trabalho, jurisdição trabalhista comparada e impactos da inteligência artificial nas profissões. As discussões também envolveram a proteção do trabalho das mulheres em suas interseccionalidades e os desafios futuros da regulação trabalhista em uma economia cada vez mais digitalizada e globalizada. O evento foi promovido pela Enamat, em parceria com o TST, o CSJT e o CNJ.
Com informações do CSJT.
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